quinta-feira, abril 2, 2026

Prefeitura de São Paulo Recusa Pedidos de Mototáxi por Aplicativo e Estende Impasse com Empresas

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Prefeitura de São Paulo rejeita proposta da Uber

Em uma decisão recente, a Prefeitura de São Paulo negou a solicitação da Uber para operar o serviço de transporte de passageiros por motocicletas na cidade. O Comitê Municipal de Uso Viário (Cmuv) foi responsável pela decisão, que ocorreu durante reunião na última terça-feira (31). Um dos principais motivos citados para a recusa foi a ausência de uma apólice de seguro que atendesse aos requisitos especificados pela legislação municipal.

A resposta das empresas

Além da negativa recebida pela Uber, outra empresa importante no mercado de transportes por aplicativos, a 99, decidiu não seguir adiante com seus planos para o serviço de mototáxi em São Paulo. Em reunião com o prefeito Ricardo Nunes, a 99 declarou que no momento não lançará o serviço na capital, preferindo focar na expansão de outras áreas, como a de entregas de alimentos.

Exigências rigorosas para operação

A negativa ocorre poucos meses depois da promulgação de novas regulamentações para o transporte por motocicletas na cidade, sancionadas pelo prefeito Ricardo Nunes em dezembro de 2025. A legislação impõe um conjunto de condições rigorosas tanto para os motociclistas quanto para as empresas, incluindo a obrigatoriedade de seguros adequados, pontos de descanso para os motociclistas e limitadores de velocidade nos aplicativos. Quem não cumprir as regras está sujeito a multas significativas, variando de R$ 4 mil a R$ 1,5 milhão por dia.

Desafios legais e reação das associações

As regras enfrentaram resistência de entidades que representam as plataformas digitais. A Amobitec, associação do setor, criticou a regulamentação, classificando-a como ilegal e restritiva, o que praticamente inviabiliza o serviço. A Amobitec argumentou que as restrições impostas são excessivas, extrapolando os limites legais e funcionando como uma proibição disfarçada.

Em resposta, a associação indicou que pretende recorrer à Justiça contra a legislação, alegando que esta contraria decisões judiciais pré-existentes que impedem as prefeituras de restringirem os serviços de mototáxi por aplicativo. Segundo a entidade, essas exigências estão bloqueando tanto o acesso da população à mobilidade quanto o trabalho de muitos motociclistas.

Histórico de controvérsia

Desde que a regulamentação foi sancionada, Uber e 99 já haviam adiado a reintrodução do serviço de mototáxi na capital, principalmente devido ao risco das pesadas penalidades previstas. A decisão foi tomada em reuniões na sede da Amobitec, onde as empresas concordaram em pausar as operações para evitar eventuais sanções.

No comunicado emitido em conjunto, as plataformas criticaram o novo quadro legal por negar o direito à mobilidade dos paulistanos e o direito ao trabalho dos motociclistas, notando a disponibilidade do serviço em outras cidades do Brasil sem tais entraves.

Um futuro incerto para o mototáxi por aplicativo

A situação em São Paulo revela um impasse contínuo entre o poder público e as empresas de tecnologia. Por um lado, as autoridades buscam um equilíbrio entre a inovação e a segurança pública; por outro, as empresas e associações pedem por regulamentos que permitam a operação viável dos serviços. Com o avanço das discussões judiciais e possíveis mudanças nas políticas públicas, o futuro do mototáxi por aplicativo na maior cidade do país permanece incerto.

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